Em uma certa distância vi um simples poste de luz. Dava para ver até os mosquitos em volta da lâmpada brigando para ver quem morre primeiro. A luz formava um belo contraste com a escuridão da noite, o bem e o mal, o céu e o inferno. Naquele momento o poste parecia mais com um bote salva-vidas, ou melhor a luz no fim do túnel. Como se a minha vida dependesse da luz, mas no fundo eu sabia...infelizmente.
Sem hesitar começo a correr em direção ao único lugar que pode me ajudar. Sinto que tem algo atrás de mim, isso já é o suficiente para correr. Não preciso ver para crer, sentir já basta.
O mais importante agora é estar próximo do poste a cada segundo que passa. Lembro de flexionar bem os joelhos, não quero parecer uma daquelas vitimas que sempre acabam caindo, ou que tropeçam nos próprios pés nas cenas de fuga nos filmes de terror que acho sem graça. Cada galho, pedra, tudo o que compõe a floresta são pequenas armadilhas mas podem acabar sendo mortais. Esperando o momento perfeito para cair em uma delas e dar de cara com a coisa que eu sinto, mas não me atrevo a olhar. Agora eu entendo porquê as vitimas sempre caem, essa adrenalina toda, a constante paranoia.
A última vez que eu corri desse jeito foi quando minha mãe me pediu:
"Pode sair para brincar filho, mas chega antes de anoitecer. Não quero você andando a noite sozinho". Se eu estivesse com as roupas rasgadas ou me machucado ela não se importaria, mas por algum motivo chegar depois do anoitecer era cruzar seu limite. Por quê não obedeci a ela.